sexta-feira, 14 de maio de 2010

Às sofrer

Escuto o tempo
sem alivio
sem nexo
perdido

descalço em campos
agora escaldados
pelo sangue
sangue que de ti brota

brota de teus olhos
de teu peito,de tua alma
pois tem falta de amor

e se de amor não sofres
por ti sofro
pois agora choro
ao saber que de ferro
é o teu coração

e não fere
não sangra
não chora

...

existes ?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Receita para Melancolia

O vidro embaçado chora
escorrendo calmo
se mistura ao chão
vira poça

o relógio insistente
não reluz , não brilha
não reflete , apenas ecoa

tic-tac!

choro vendo a chuva
eu sou a chuva ,
que cai triste
perdida na manhã
perdida no tempo
apenas ecoando

tic-tac!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Da carne ao cerne

A mais lúgubre
e imperfeita criação
zoroastra a mato , mata , matar

Vagos em vãos de vida
erros sã e causais
recordam quão fútil és

Eis o ás destruidor
que sintoniza
o sonoro requiem
que trás o verde ao chão

Devora e sonha
engrandecendo o sonho,
sonho de quem não sonha
volvendo o caos do existir.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Morte

Deturpada mortalha cai
filtrando o abrasar solar
sobre a face o escuro
e sobre a mente o onir

envolto em campos
de trevas circulares
me encontro em Dante
e em seu maléfico espiral

ao encontro de um homem
que se clama sem nome
por todos levar

me prendo aos grilhões
grilhões da ignorância
que me impedem de ver
com quem estou a falar

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ioiô

ei-lo aqui
aquele que me acolhe
o que é senhor
da morbidez e ociosidade

me deparo com tempo
o tempo mal gasto
e maldito

que corre por linhas
invisíveis do meu invisível
relógio é minha falta

uma viola
uma voz
uma vida
um iôiô

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fim de Ano

E me encontro recluso
somente a viver
e que vontade de poder
de sofrer de emergir

A poucas lágrimas corto
mais um ano que finda
só mais um á espera

Bons tempos virão
mais morrer de saudade
são meus métodos

Que escrevo torto
e por linhas tortas
saboreio mais um ano
brindando a cruel reclusão