sábado, 24 de setembro de 2011

Drama

dei-me mais um fim
nem que seja de semana
mas poupe os que aos outros tem

pois o coração partido
de um fim precoce
distorce os sentimentos
e cria a sensação de solidão

que cria indivíduos como eu
dotados de extrema esperança
e senso de pessimismo
capaz de escrever noticias que nunca virão

em um mundo que nunca será capaz
de nos suprir emocionalmente
pois sempre seremos acasos
presos por um descaso
daqueles que tocaram nosso caminho


nada que eu fizesse
faria-me melhor do que sou
porque uma parte de mim é amor
e a outra a muito já morreu

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aborto

o que me falta ?
é eu sei responder
cale esta boca
não me importunes imundo
é apenas o meu pranto
que escorre por esta teclas

e para tão amarga vida
elas descem
trazendo um amargo gosto de derrota

com notas de roda pé
bem escritas
engolindo o choro
e nunca
nunca falando

desespero
tenho aos montes
e não sei quanto mais aguentarei

ah dor ...
me leva logo
o som de se entregar
a tudo que apenas me afasta

as mãos no rosto
a infelicidade
e o toque que nunca terei
pois ela encontrou entre os 6 bilhões
um igual a mim

na morte singela do meu sentimento
que nunca fora batizado
e nunca apresentado a genitora

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Por um segundo

Em um sábado qualquer
dançando entre os ratos
derramarei a última lágrima
e beberei

beberei todo teu sofrimento
e cada gota descerá como o lacerar
do meu coração
aflito , fixo e por alguns segundos mais
pulsante

ardendo como a ultima aguardente
esquecida pelo diabo em uma velha prateleira
onde já bebeu Machado , Mario e o novo amigo Gabriel

me sento no chão
e o frio do aço lentamente me desperta
aço ? barras de aço ? enjaulado ?
preso em teu coração

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Solilóquio

Em uma rua torta
não tão distante da realidade
há uma pequena lareira
que friamente esquenta meu coração

colorida , distorcida
tão mal feita e imperfeita
de tanta beleza
que torna-se fugaz

em quadros brancos
onde o espírito da mãe
não permeia
Nunca habitou!
[ grita um outro espírito
a sanidade

ao grito dos loucos
ao uivo dos lobos
e o lacerar pulsante
do amor no coração

eu entrego
estas ultimas pautas
pausadas , mal escritas
e nunca sussurradas
ao vão do peito

adeus sentimento !
Preciso viver uns 100
não melhor ... 1000 ...
ainda é pouco
uns ... é ... até morrer de solidão

terça-feira, 12 de julho de 2011

Verde

o relógio já não batia
arrastando as horas com suas pesadas correntes
o som era distante
e o farfalhar das asas metálicas do ventilador
era o único som

não havia um coração
havia um vão coberto de sentimentos
um vazio insano
e uma dor vindoura
que sempre gentil afaga o peito ferido

me pergunto se gosto da dor
ela cuida de mim
me trás de volta ao meu mundo
mas o mesmo tempo dói

homens não gostam de sofrer
homens não gostam de amar
homens não gostam
ninguém possui gostos
não existe ninguém
somos apenas uma pequena parcela
do que idealizamos ser
bem distante do que hipoteticamente seriamos
se fossemos alguém

algumas palavras
alguns sentimentos
e nos achamos completos
perfeitos
com identidade
criatividade e inteligência

não passando de macacos
presos a mentes medíocres
e ainda temos a proeza de nos invejarmos
invejarmos o nada que não temos

se fosse dor pouco seria
se fosse amor nunca estaria
se eu fosse alguém eu seria você
seria somente vocês
seria o que eu amo
ou fui quem eu quis ser
um ser sem perspectivas
um ser sem prazer
apenas um vago
um vago invejoso
catando entre os mendigos
o pouco de pão que o amor me deixou

são apenas previsões
neste exato momento
até mesmo eu
o mais esperançoso dos pessimistas
tenho o coração divido
e por isso amo
amo a qualquer um que seja eu

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anthrax

meu doce e saboroso veneno
onde aos poucos provo do meu próprio cálice
o ego

seco de sentimento e repleto de contradições
as cobras beberão ao meu lado
e sob a luz dos corvos deitarei
apagando a ultima centelha de sanidade ...

perdido em um sorriso tão doce como a primavera
e tão certeiro quando o amor , despertei
não sei se vi Tereza , mas quando vi já não tinhas mais nome
e eu a chamava de amor

já não via corvos
calices , nem cobras
e eu era so mais uma vítima do meu proprio veneno
salvo pelo amor .

sábado, 18 de junho de 2011

Inveja

Sabe aquele sentimento que devora ?
que não bate a porta
e nunca demora
que afaga gentil como um furacão
e vai embora antes de uma boa hora

me desculpe , este sentimento é seu ...